«Quer se considere o arquivo como o repositório de testemunhos históricos fundadores da memória colectiva, quer como o repositório de uma informação completa acerca do passado, para todos os fins históricos ou não, o arquivo deixou de ser, como tal, o ponto de partida privilegiado da construção social do passado.» (Mattoso, 1989, p. 132).
Este website nasceu da vontade de conhecer melhor a história, a cultura e o património do território saloio, com particular atenção à vila de Bucelas e ao concelho de Loures. Tal como certos objetos familiares têm o poder de despertar memórias adormecidas, também este projeto começou com um deles: um pequeno ferro de engomar, pertencente a um dos coordenadores, guardado pela família e carregado de histórias transmitidas ao longo de gerações (Figura 1). Esse objeto simples tornou-se o ponto de partida para uma viagem mais ampla, dedicada a compreender de onde vimos e o que permanece das comunidades que moldaram esta paisagem.
Figura 1 Ferro de engomar colarinhos, meados do século XIX, coleção Família Jacinto Fonte própria
A partir dessa curiosidade inicial, iniciou-se a recolha de objetos, testemunhos e memórias que revelam fragmentos do quotidiano rural e da identidade saloia. O trabalho levou-nos a museus, arquivos locais, bibliotecas, explorações agrícolas e espaços comunitários, reunindo informações que ajudam a compreender a vida das populações que habitaram — e continuam a habitar — este território. Entre os elementos estudados destaca-se a ovelha saloia, raça autóctone profundamente ligada à economia tradicional, às práticas de pastorícia, ao ciclo da lã e à própria forma como a paisagem foi sendo modelada ao longo do tempo.
Foram igualmente inventariados objetos associados ao mundo saloio, muitos deles preservados por famílias, artesãos e produtores que generosamente partilharam memórias e histórias pessoais. Estes materiais, aliados às oficinas dedicadas ao ciclo da lã e à criação de uma exposição sensorial itinerante, permitem aproximar o visitante do universo cultural que caracteriza a região.
Porque preservar a memória é dar continuidade ao que somos, este espaço convida-vos a descobrir vidas, tradições, objetos e lugares que testemunham a riqueza cultural e ambiental do território saloio — e que fazem de Bucelas e de Loures um património vivo, feito de pessoas, gestos e histórias que importa continuar a valorizar.
Caracterização do Projeto
Caracterização do Projeto
Figura 1 Localização da Freguesia de Bucelas, concelho de Loures, Distrito de Lisboa.
Extraído de https://pt.wikipedia.org/wiki/Bucelas, consultado em Maio de 2025.
O projeto Apelido Bucelas: Repositório de Memória Coletiva e Familiar é uma iniciativa de caráter pessoal, familiar e comunitário, criada com o objetivo de preservar, valorizar e partilhar a memória coletiva e familiar da freguesia de Bucelas, no concelho de Loures. Partindo de histórias familiares e de objetos preservados ao longo de gerações, foi construída uma plataforma digital aberta à comunidade, onde qualquer pessoa pode contribuir com memórias, objetos e testemunhos, complementando assim a história nacional com narrativas locais muitas vezes esquecidas, mas fundamentais para o tecido cultural e afetivo da região de Bucelas, Loures (Figura 1).
Figura 2 Logótipo
Fonte própria
Mais do que um arquivo, este repositório é um espaço de encontro entre gerações, saberes e patrimónios. O vídeo introdutório do projeto procurou incluir a Língua Gestual Portuguesa, tornando-o mais inclusivo, acessível e representativo da diversidade da comunidade.
O logótipo do Apelido Bucelas (Figura 2) foi concebido com base na simplicidade visual e na profundidade simbólica, representando a essência do projeto.
O símbolo escolhido é um ferro de engomar de colarinhos, desenhado a traço simples e firme, em azul-escuro sobre fundo claro. Este objeto — o primeiro a integrar o repositório — pertenceu a uma das famílias envolvidas e foi recolhido através de memórias transmitidas entre gerações (Figura 3).
Figura 3 Ferro de engomar, meados do século XIX
Fonte própria
Apesar de simples e doméstico, guarda histórias do quotidiano de Bucelas e era um elemento constante na casa de várias gerações — e, por extensão, na de muitas famílias da freguesia. A escolha deste ferro não pretende reforçar papéis subalternos historicamente atribuídos às mulheres, mas sim valorizar o trabalho invisível, a resiliência e a continuidade que moldaram a vida familiar e comunitária. O azul-escuro transmite confiança, sobriedade e ligação à tradição, enquanto o traço manual remete para uma memória cuidada, feita à mão, tornando o logótipo não apenas uma marca visual, mas também uma homenagem às pequenas histórias e objetos que unem a comunidade.
O repositório estrutura-se em várias secções. A primeira é dedicada ao património familiar, reunindo, fotografando, contextualizando, registando e organizando alfabeticamente objetos provenientes de famílias da freguesia e de entidades museológicas locais, como o Museu da Vinha e do Vinho de Bucelas (Figura 4), com especial atenção às memórias associadas a cada peça.
Essas memórias, frequentemente transmitidas oralmente e muitas vezes apenas conhecidas no seio das famílias, são as mais frágeis e as mais votadas ao esquecimento. Recuperá-las significa resgatar não apenas histórias individuais, mas também uma visão íntima da vida quotidiana e das identidades que moldaram Bucelas ao longo do tempo.
A segunda secção é dedicada ao património histórico construído, com levantamento e georreferenciação dos edifícios e espaços de relevância, apresentados num mapa interativo (Figura 5).
Figura 5 Património Construído em Bucelas, mapa interativo
Extraído de Apelido Bucelas Fonte Própria
A terceira centra-se no património imaterial, organizando conteúdos audiovisuais sobre artes tradicionais como a tanoaria e a cestaria, preservando saberes em risco de desaparecer (Figura 6).
A quarta apresenta a “Peça do Mês”, destacando mensalmente um objeto e a sua história, tornando o repositório dinâmico e apelativo.
A quinta reúne memórias nos media, selecionando e organizando vídeos e reportagens disponíveis em plataformas como o YouTube, que documentam a vida e as tradições locais.
A sexta secção integra testemunhos de especialistas ligados à cultura, museologia, investigação e património, refletindo sobre a importância da preservação da história familiar.
A sétima apresenta os resultados de um inquérito realizado a 135 professores de História, analisando se — e como — utilizam a história familiar nas suas aulas.
A oitava recolhe testemunhos do poder local sobre o valor e o papel de repositórios de memória na valorização da região.
A nona abre espaço à participação da comunidade, convidando famílias a partilhar as suas memórias e objetos, reforçando o caráter coletivo e colaborativo do projeto.
A décima secção é dedicada a uma das espécies autóctones em vias de extinção existentes no concelho e em Bucelas: a ovelha saloia. Aqui procede-se à sua caracterização, à elaboração de um Percurso Saloio com locais a ela associados, ao levantamento de objetos históricos ligados à raça, à identificação de oficinas que trabalham o ciclo da lã, ao acesso a uma exposição sensorial itinerante, bem como à recolha de entrevistas a criadores, pastores, queijeiros e a geógrafos que estudam o território.
A décima primeira secção mapeia a estrutura comunitária existente em Bucelas — Câmara Municipal de Loures, Junta de Freguesia, coletividades, paróquia, entre outras — e estabelece contactos para colaboração, alguns dos quais já resultaram em reconhecimento e vontade de cooperação.
Seguem-se secções dedicadas às conclusões finais, que sublinham a urgência de registar memórias antes que desapareçam, às fontes utilizadas (bibliográficas e digitais) e às biografias dos coordenadores, permitindo conhecer percursos, interesses e motivações.
O Apelido Bucelas é um projeto vivo, em constante construção e de natureza inclusiva, que não se limita a arquivar memórias, mas procura ativá-las, contextualizá-las e colocá-las ao serviço da comunidade. É pessoal porque nasce de histórias familiares preservadas no território; é coletivo porque convida todos a participar; e é comunitário porque reforça os laços entre as pessoas e o lugar que habitam. Mais do que relatar os “grandes acontecimentos”, procura complementar a história nacional com narrativas locais — aquelas que nascem nas casas, nas ruas e nas oficinas, e que inevitavelmente se cruzam com a história de um país.
Património Familiar
Peça do Mês
Nesta secção, damos destaque a um objecto que, pela sua importância histórica, simbólica ou afectiva, merece ser olhado com especial atenção. Cada mês será dedicado a uma peça representativa da memória de Bucelas, revelando histórias do quotidiano, das famílias e das tradições locais. Este espaço pretende valorizar esses fragmentos do passado que ajudam a compreender melhor quem somos e de onde vimos. Este mês, convidamo-vos a descobrir…
Vídeos: Bucelas no Media
Património Familiar
Nesta secção, é possível explorar um conjunto de objectos ligados à história quotidiana e familiar da comunidade de Bucelas. Cada peça foi cuidadosamente recolhida, fotografada e analisada, tendo por base a sua origem, uso e significado no contexto local.
Os objectos aqui apresentados têm proveniências diversas: alguns foram identificados em museus da região; outros pertencem às famílias dos autores deste repositório; e há ainda peças partilhadas generosamente por habitantes de Bucelas, que contribuíram com memórias e histórias pessoais.
Organizado por ordem alfabética, este índice permite uma navegação simples e intuitiva, dando acesso a descrições detalhadas, imagens e pequenos relatos que acompanham cada objecto. Do mais comum ao mais invulgar, todos têm algo para contar — sobre as vidas, os gestos e os tempos de quem habitou esta terra.
Convido-vos a percorrer este repositório e a descobrir, através dos objectos, fragmentos da identidade de uma comunidade com memória.
Património Construído
Património Imaterial
Esta secção apresenta uma selecção de vídeos dedicados a tradições artesanais associadas a Bucelas — como a tanoaria e a cestaria - que marcaram o quotidiano rural da região.
Os vídeos aqui reunidos estão disponíveis publicamente e foram seleccionados por darem visibilidade ao “saber fazer” que atravessa gerações. Optou-se, sempre que possível, por cruzar registos realizados em Bucelas com outros provenientes de diferentes regiões, nomeadamente de Espanha, onde se reconhecem práticas semelhantes.
Este diálogo entre vídeos permite compreender como certas tradições, apesar de geograficamente distintas, partilham técnicas, gestos e valores comuns. Revela também como o património imaterial é simultaneamente local e universal — enraizado nas comunidades, mas ligado por fios invisíveis de cultura e memória.
Convido-vos a explorar esta galeria e a descobrir o que une Bucelas ao mundo através das mãos que trabalham e das histórias que resistem ao tempo.
Tanoaria
A Tanoaria em Bucelas
Estes vídeos apresentam o trabalho de Zé Espiga, um dos últimos tanoeiros da região, destacando a arte de confeccionar barris de madeira:
O Saber Fazer noutros espaços
Estes vídeos apresentam o trabalho de tanoeiros de outras regiões portuguesas, destacando a partilha de técnicas artesanais.
Tanoaria Espanhola
Vídeos que mostram práticas de tanoaria em regiões espanholas, permitindo uma comparação com as técnicas utilizadas em Bucelas.
Cestaria
Gente com bom interior: A arte da Cestaria de Odivelas
Este vídeo explora a tradição da cestaria na região de Odivelas, próxima de Bucelas, destacando técnicas e histórias locais.
Rota da Cestaria e Vime
Um documentário que percorre a tradição da cestaria e do vime em várias regiões, incluindo Bucelas, mostrando a continuidade e adaptação dessas práticas.
Cestaria em Espanha
Este vídeo mostra práticas de cestaria em regiões espanholas, permitindo uma comparação com as técnicas utilizadas em Bucelas.
Peça do Mês
Património Construído
Esta secção apresenta um mapa interactivo que reúne alguns dos principais elementos do património construído da freguesia de Bucelas. Igrejas, adegas, pontes, casas senhoriais, fontanários e outros marcos arquitectónicos foram identificados, localizados e contextualizados, permitindo uma leitura visual e histórica do território.
Mais do que simples edifícios, estes espaços são testemunhos vivos da memória colectiva e das histórias das famílias que aqui viveram. Ao preservar e dar visibilidade a este património, contribuímos para reforçar a identidade local, valorizando a herança cultural que atravessa gerações.
Convido-vos a explorar o mapa, descobrir lugares com história e, quem sabe, reconhecer memórias partilhadas.
Património Imaterial
Vídeos: Bucelas no Media
Nesta secção, reúnem-se vídeos de acesso público que mostram Bucelas ao longo do tempo, com especial enfoque nas suas festividades, tradições e momentos significativos da vida local.
Estes registos, maioritariamente provenientes da plataforma YouTube, não são da autoria dos criadores deste website, mas foram seleccionados por reflectirem a riqueza cultural e a identidade comunitária de Bucelas.
Ao explorar esta galeria, é possível revisitar celebrações ligadas ao vinho e à vindima, conhecer costumes locais, e escutar vozes e rostos que fazem parte da história colectiva da freguesia.
Convido-vos a mergulhar nestas imagens que eternizam memórias e dão visibilidade à herança viva de Bucelas.
Palavra de Especialista
Palavra de Especialista
Nesta secção, damos espaço a especialistas ligados à cultura, à investigação académica, aos museus e ao estudo do património, que partilham o seu olhar sobre a importância de preservar e compreender a história familiar no contexto de Bucelas.
A partir de um conjunto de questões orientadoras, estes profissionais refletem sobre o papel que os objectos do quotidiano e as memórias orais desempenham na construção da identidade de uma comunidade. Abordam ainda como o estudo das famílias pode enriquecer a história local, complementar os registos tradicionais e até desafiar algumas narrativas estabelecidas.
As respostas permitem compreender quais os critérios essenciais para preservar objectos e memórias, alertando também para os riscos de perder este património material e imaterial, que constitui parte integrante da memória colectiva.
Convido-vos a explorar estas entrevistas e a descobrir como a história de Bucelas ganha novas dimensões quando vista através das lentes da cultura, da investigação e da preservação patrimonial.
Palavra de Professor
Palavra de Professor
Nesta secção, optou-se por recolher a perspetiva de docentes de História sobre a utilização da história familiar como recurso didático, através de um inquérito online. O questionário foi enviado a professores da disciplina e obteve 135 respostas válidas, permitindo caracterizar de forma robusta as perceções e práticas associadas a este tema. O objetivo foi compreender se este recurso já é trabalhado nas aulas, de que forma é implementado e qual a perceção do seu valor educativo.
Quanto à frequência com que o tema é abordado, 84 docentes (62,2%) afirmaram fazê-lo ocasionalmente e 31 (23,0%) com frequência, enquanto 17 (12,6%) o fazem raramente e apenas 3 (2,2%) nunca o abordaram (Figura 1). Estes resultados mostram que, para a maioria, a história familiar já é um elemento integrado no ensino, embora de forma não totalmente sistemática.
Figura 1
No que diz respeito à relevância atribuída à história familiar, 78 professores (57,8%) consideram-na relevante e 53 (39,3%) muito relevante, sendo apenas 4 (3,0%) a classificá-la como pouco relevante (Figura 2). Este reconhecimento é acompanhado de práticas concretas: 85 docentes (63,0%) já propuseram a recolha de objetos ou testemunhos familiares de forma pontual, 35 (25,9%) fazem-no regularmente, 8 (5,9%) nunca o fizeram e 7 (5,2%) manifestaram vontade de experimentar (Figura 3).
Figura 2Figura 3
A perceção do valor dos objetos históricos é quase consensual. 114 professores (84,4%) concordam plenamente que os objetos são fontes históricas tão importantes como os documentos escritos e 21 (15,6%) concordam parcialmente (Figura 4). Esta opinião reflete-se na utilização efetiva: 81 docentes (60,0%) utilizam objetos ocasionalmente, 44 (32,6%) frequentemente, 9 (6,7%) raramente e apenas 1 (0,7%) nunca os utiliza (Figura 5).
Figura 4Figura 5
A análise individual das opções (Figura 6) revela que os professores dão clara preferência a recursos com ligação direta à vivência dos alunos: “Objetos familiares dos alunos” foram mencionados por 80 docentes (59,3%), “Objetos de museus (ex: ferramentas, armas, roupas)” por 58 (43,0%) e “Fotografias de objetos históricos” por 56 (41,5%). As “Reproduções feitas em aulas (ex: maquetes, artefactos)” ocupam a quarta posição, referidas por 33 professores (24,4%). Entre as escolhas menos frequentes surgem “Objetos do próprio professor” (2 respostas; 1,5%), bem como “Reprodução de fontes históricas coevas”, “jornais e fotografias do acervo familiar”, “Fotografias dos pais/avós dos alunos” e “Réplicas dos museus”, todas com apenas 1 referência (0,7%).
Figura 6
A preservação de património do quotidiano conta com amplo apoio: 113 docentes (83,7%) defendem a preservação sem reservas, 19 (14,1%) apenas de alguns objetos e 3 (2,2%) condicionam ao contexto (Figura 7).
Figura 7
A participação em atividades de recolha, inventariação ou exposição de objetos também é expressiva: 74 professores (54,8%) participaram mais de uma vez, 23 (17,0%) pelo menos uma vez, 28 (20,7%) nunca o fizeram mas gostariam e 10 (7,4%) nunca participaram nem manifestaram interesse (Figura 8).
Figura 8
Sobre a perceção dos alunos, 84 docentes (62,2%) acreditam que estes atribuem valor educativo à análise de objetos históricos, 30 (22,2%) afirmam que depende da turma, 16 (11,9%) consideram que o interesse surge apenas quando há ligação pessoal e 5 (3,7%) raramente observam valorização (Figura 9).
Figura 9
No que respeita ao conhecimento de repositórios de história local ou familiar, 54 (40,0%) já utilizaram com alunos, 24 (17,8%) conhecem mas nunca usaram, 43 (31,9%) não conhecem e 14 (10,4%) nunca tinham pensado no assunto (Figura 10). Apesar desta diferença de experiência, o interesse pela criação de repositórios digitais escolares é elevado: 83 (61,5%) consideram-na muito importante, 46 (34,1%) importante e apenas 6 (4,4%) pouco importante (Figura 11).
Figura 10Figura 11
De forma coerente, 78 docentes (57,8%) gostariam que a escola tivesse um repositório com apoio técnico, 35 (25,9%) condicionam à existência de formação, 18 (13,3%) responderam “talvez” e 4 (3,0%) não o consideram necessário (Figura 12). Por fim, sobre formação específica para trabalhar história familiar e objetos, 87 (64,4%) preferem um enfoque pedagógico, 30 (22,2%) um enfoque histórico/museológico, 14 (10,4%) responderam “talvez” e 4 (3,0%) rejeitam a necessidade (Figura 13).
Figura 12Figura 13
Em síntese, os dados evidenciam uma forte valorização da história familiar e dos objetos como recurso educativo, acompanhada de práticas relativamente frequentes, ainda que desiguais entre docentes. O elevado interesse por repositórios digitais e formação específica aponta para um potencial significativo de desenvolvimento de projetos pedagógicos inovadores, articulando património, memória e participação ativa dos alunos.
Nesta secção, reunimos testemunhos de autarcas e personalidades ligadas ao poder local, que partilham as suas perspetivas sobre a importância de preservar e divulgar a memória coletiva de Bucelas.
A partir de um conjunto de questões orientadoras, os entrevistados refletem sobre o valor de criar um repositório digital que guarde e partilhe objetos, histórias e memórias familiares da freguesia. Abordam ainda o papel desta recolha na valorização da identidade local, no reforço do sentimento de pertença e no potencial cultural e turístico que o projeto pode gerar.
As respostas aqui apresentadas revelam visões complementares, que conjugam experiência, compromisso cívico e profundo conhecimento da terra e das suas gentes.
Convido-vos a explorar estas entrevistas e a descobrir como Bucelas é vista e sonhada por aqueles que, no presente, trabalham para projetar o seu futuro sem esquecer o passado.
Partilhe a sua História
Partilhe a sua História
Queremos que este repositório seja um espaço vivo e participativo, onde a comunidade de Bucelas pode contribuir para a preservação da memória coletiva e para o enriquecimento do conhecimento sobre as famílias locais.
Se tem um objeto com uma história especial ligado a Bucelas, convidamo-lo a partilhá-lo connosco. Pode enviar uma fotografia do objeto e contar-nos a sua história através do formulário abaixo.
Submeter Item - Património Familiar
Se preferir, também pode contactar diretamente os coordenadores deste projeto:
A sua colaboração é fundamental para enriquecer este acervo, fortalecer as ligações familiares e manter viva a memória das nossas famílias e da nossa terra.
Rede Comunitária de Bucelas e Parcerias
Ovelha Saloia
Caracterização
A ovelha saloia é uma raça autóctone portuguesa cuja presença marcou profundamente a história rural da região de Lisboa. Dotada de grande rusticidade, esta raça desenvolveu-se em estreita relação com os solos pobres e as variações climáticas características dos concelhos de Loures, Oeiras, Cascais, Sintra e Vila Franca de Xira. A sua resistência ao clima e ao terreno, bem documentada nos estudos dedicados à raça¹, permitiu durante séculos a prática do pastoreio extensivo, fundamental para a economia familiar das comunidades saloias. A pelagem densa e espessa, bem como a robustez física, conferem-lhe uma notável capacidade de adaptação, sendo características frequentemente destacadas nos levantamentos técnicos da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária².
Mais do que um animal de produção, a ovelha saloia desempenhou um papel central na organização económica, social e simbólica do território. O leite, de elevada qualidade, tornou-se base para queijos artesanais de renome³, enquanto a carne, valorizada pela sua textura e sabor, manteve um lugar relevante na gastronomia regional. A criação de ovelhas saloias, transmitida de pais para filhos, constituiu um elo fundamental entre gerações e um pilar da agricultura familiar, tal como evidenciam diversos estudos sobre práticas rurais e saberes tradicionais⁴.
A diminuição progressiva do número de efetivos — atualmente reduzidos a algumas centenas de animais — coloca a raça em risco de extinção. Entre as causas mais frequentemente identificadas encontram-se a substituição por raças mais produtivas, o abandono das práticas agrícolas tradicionais e a crescente pressão urbanística sobre o território⁵. A dispersão geográfica, hoje muito limitada, reflete esta tendência, com presença residual em áreas da Grande Lisboa, Península de Setúbal e Alto Alentejo⁶. A manutenção da raça depende, por isso, não apenas da ação dos criadores, mas também de políticas públicas e iniciativas locais que promovam a preservação do património genético e cultural associado à ovelha saloia.
O valor ambiental da raça é igualmente significativo. O pastoreio saloio contribui para o controlo da vegetação espontânea, reduzindo o risco de incêndios, ajudando a manter os solos vivos e promovendo a biodiversidade local. Estas práticas tradicionais mostram-se compatíveis com os princípios atuais de sustentabilidade e conservação, tal como demonstrado em estudos dedicados à relação entre ovinos e qualidade ecológica das pastagens⁷. A raça representa, assim, uma alternativa sustentável face à intensificação agrícola dominante.
A ovelha saloia é também uma referência na cultura e no imaginário rural português. A sua presença em festas, representações religiosas — como no presépio — e celebrações comunitárias está amplamente documentada⁸, evidenciando o seu papel como símbolo da vida pastoril e familiar. Fotografias históricas mostram rebanhos em Loures e noutras localidades saloias, testemunhando práticas que definiram a identidade local ao longo de gerações.
A preservação da ovelha saloia tem sido assumida por várias entidades, como a Associação de Criadores da Raça Ovina Saloia⁹ e a ARCOLSA¹⁰, que desenvolvem projetos de valorização do património genético, apoio aos criadores e divulgação das práticas pastorícias. Autarquias como Loures e Palmela têm igualmente investido em iniciativas educativas e culturais — entre elas o programa “Onde está a Ovelha Saloia?” e atividades como “Adote uma Saloia” ou o “Clube da Saloia”¹¹. Estes projetos reforçam a ligação entre o território e a comunidade, promovendo o conhecimento sobre a raça e estimulando o seu futuro.
Caracterizar a ovelha saloia é, por isso, compreender simultaneamente a sua dimensão biológica, o seu contributo económico, a sua função ambiental e o seu peso cultural. A urgência da sua preservação não se limita à defesa de uma raça em risco: envolve a salvaguarda de um património identitário, afetivo e territorial, que continua a definir o modo como Bucelas, Loures e o território saloio se reconhecem na sua história.
Silva, M., & Oliveira, P. (2019). Agricultura familiar e desenvolvimento rural sustentável em Portugal: desafios e oportunidades. Revista de Estudos Rurais, 7(2), 45-62.
Santos, A. F. (2018). Fatores ambientais que influenciam a produção de leite na raça ovina Saloia (Tese de mestrado). Instituto Politécnico de Santarém – Escola Superior Agrária. Disponível em: https://repositorio.ipsantarem.pt/handle/10400.15/1168 (acedido em 13 de julho de 2025).
ARCOLSA – Associação Regional de Criadores de Ovinos Leiteiros da Serra da Arrábida. ARCOLSA. Disponível em: https://www.arcolsa.pt/ (acedido em 13 de julho de 2025).
Nesta secção é possível explorar um conjunto de locais diretamente ligados à presença da ovelha saloia no território. Cada ponto foi identificado e contextualizado, permitindo compreender a importância histórica, cultural e económica desta raça autóctone. O percurso reúne explorações, queijarias, espaços museológicos, trilhos rurais e áreas onde a pastorícia ainda marca a paisagem. Organizado de forma simples e intuitiva, o mapa convida o visitante a descobrir, no terreno, os caminhos percorridos por gerações de pastores e produtores. Através destes lugares, revelam-se fragmentos da identidade saloia, permitindo uma aproximação sensível à relação entre comunidade, território e tradição.
Objetos Saloios
Nesta secção apresenta-se um conjunto de objetos diretamente associados à criação da ovelha saloia e às práticas tradicionais que lhe estão ligadas. Cada peça foi identificada, fotografada e descrita, valorizando a sua origem, utilização e significado no contexto do pastoreio e do ciclo da lã. Entre os objetos reunidos encontram-se utensílios usados pelos pastores, ferramentas ligadas ao tratamento da lã, recipientes associados à produção de queijo e elementos materiais que testemunham o quotidiano rural da região saloia.
Reunidos a partir de famílias, criadores, artesãos e espaços museológicos, estes objetos constituem um registo precioso de técnicas, gestos e saberes que atravessaram gerações. Convida-se o visitante a descobrir, através destas peças, fragmentos da história e da identidade de uma raça autóctone que marcou profundamente o território e as suas comunidades.
Oficinas Saloias
Nesta secção listam-se oficinas dedicadas ao ciclo da lã e aos saberes tradicionais ligados à ovelha saloia, que podem ser organizadas mediante solicitação. Estas atividades não funcionam de forma permanente: são dinamizadas por artesãos, entidades culturais e projetos parceiros, sendo os coordenadores responsáveis por estabelecer o contacto e articular todas as condições para a sua realização. Para mais informações ou para agendar uma sessão, contacte-nos para organizar a oficina adequada ao seu contexto.
As oficinas disponíveis permitem explorar, de forma prática e sensorial, diferentes etapas do ciclo da lã — desde a cardação à fiação, passando pela tecelagem e pela experimentação de técnicas tradicionais. Ao proporcionar o contacto direto com materiais, ferramentas e gestos ancestrais, estas experiências promovem a valorização do património imaterial, aproximando comunidades, escolas e visitantes da cultura saloia e das suas tradições artesanais.
Oficina
Descrição / Conteúdo
Atividades Principais
Objetivos
Disponibilidade / Organização
Foto
Oficina da Lã com Guida Fonseca (Loures)
Oficina prática sobre o ciclo tradicional da lã, orientada pela artesã e artista têxtil Guida Fonseca.
Enquadramento histórico da tecelagem
Manuseamento de lã virgem (suja e lavada)
Cardação com cardas de mão e carda de tambor
Fiação com fuso tradicional e roda de fiar
Valorizar saberes artesanais
Desenvolver destreza manual
Compreender a transmissão familiar destes saberes
Disponível mediante solicitação. Os coordenadores do projeto estabelecem o contacto com a artesã.
Figura 1: Oficina da Lã por Guida Fonseca, 12 de Fevereiro de 2025
Fonte própria
Oficina de Tecelagem — Fundação Vox Populi
Oficina dedicada às técnicas de tecelagem tradicional e à transmissão intergeracional dos saberes têxteis.
Construção de tear de papelão
Introdução ao ponto vai-e-vem
Utilização de fios, lãs, agulhas e teares portáteis
Produção de pequenas peças têxteis individuais
Estimular criatividade
Valorizar património imaterial
Reforçar práticas colaborativas e comunitárias
Disponível mediante solicitação. Os coordenadores do projeto articulam com a Fundação Vox Populi.
Figura 2: Oficina da Lã pela Fundação VoxPopuli, 2025
Fonte própria
Exposição Sensorial
Nesta secção apresenta-se a Exposição Sensorial dedicada à ovelha saloia, concebida pelos alunos do IPTrans com o objetivo de proporcionar uma experiência imersiva e multissensorial. Pensada para ser tocada, ouvida e descoberta com todos os sentidos, esta exposição convida o visitante a explorar materiais, objetos, sons e texturas que evocam o universo da pastorícia, do ciclo da lã e das tradições rurais da região saloia.
De carácter itinerante, a exposição pode ser instalada em escolas, bibliotecas, museus, associações ou eventos comunitários. Destina-se a públicos de todas as idades e procura aproximar as pessoas de um património cultural muitas vezes desconhecido, criando pontes entre a história local, a memória familiar e a experiência direta.
Para receber a exposição no seu espaço, contacte-nos para agendar a deslocação e a montagem.
Vozes Saloias
Nesta secção reúnem-se testemunhos em vídeo de pastores, criadores, queijeiros, artesãs do ciclo da lã e outras pessoas cuja vida e trabalho se entrelaçam com a ovelha saloia. Através das suas palavras, gestos e memórias, é possível compreender a profundidade cultural desta raça autóctone e a forma como marcou o quotidiano das comunidades rurais da região.
Cada entrevista regista saberes transmitidos entre gerações, narrativas de trabalho e experiências de quem mantém vivo um património que resiste ao tempo. Estes relatos permitem ouvir diretamente quem conhece a ovelha saloia por dentro — quem a cria, quem a transforma, quem dela depende. Assim, convidamos o visitante a descobrir, pela voz dos próprios protagonistas, a identidade e a vitalidade desta tradição.
Palavras de Geógrafo
Nesta secção dá-se voz a geógrafos e especialistas que estudam o território saloio, oferecendo uma leitura científica e aprofundada sobre a relação entre paisagem, comunidades rurais e a presença histórica da ovelha saloia. Através de entrevistas em vídeo e depoimentos gravados, estes profissionais analisam transformações do uso do solo, práticas tradicionais de pastoreio, dinâmicas ambientais e a importância da raça na construção da identidade local.
As reflexões apresentadas ajudam a contextualizar o património saloio no quadro mais amplo da geografia humana e física, permitindo compreender como o território molda as pessoas — e como, por sua vez, as pessoas moldam o território. Convidamos o visitante a escutar estas perspetivas especializadas, que enriquecem e aprofundam a leitura do percurso saloio.
Rede Comunitária de Bucelas e Parcerias
Este projecto conta com o apoio e colaboração de várias associações, instituições e grupos da freguesia de Bucelas, que desempenham um papel essencial na preservação da memória local, na dinamização cultural e na construção de uma identidade comunitária viva e participativa.
Abaixo, disponibilizamos os contactos das entidades que, de diferentes formas, contribuem para a valorização do património, das tradições e da coesão social de Bucelas. Se quiser entrar em contacto com alguma delas, partilhar informação ou propor parcerias, deixamos aqui os dados de cada uma:
Conclusão
Conclusão
O repositório Apelido Bucelas nasceu de um gesto simples — recolher um pequeno ferro de engomar de colarinhos do século XIX — mas rapidamente se transformou num projeto de memória coletiva e investigação histórica. Como recordava a mãe de Miguel Jacinto, “Um colarinho bem passado era como uma pequena apresentação ao mundo, um sinal de ordem no meio do caos da vida no campo” 1. A partir deste objeto, foi possível reunir um conjunto significativo de peças familiares — roupas, utensílios, esculturas, louça, relógios — que, mais do que funcionais, são documentos históricos materiais do quotidiano bucelense.
As entrevistas de história oral revelaram a densidade simbólica desses objetos. Um simples coelho de faiança recordava brincadeiras de infância interrompidas por uma queda, transformada em memória partilhada 2; um candeeiro a petróleo evocava a vida antes da eletricidade: “No verão aproveitava-se a luz solar até ao fim do dia, jantando cedo e deitando-se logo após o pôr do sol” 3. Estes testemunhos demonstram que os objetos não são apenas vestígios: são portadores de narrativas, emoções e aprendizagens intergeracionais.
A recolha não se limitou ao património familiar. O levantamento do património histórico construído — igrejas, quintas, fortificações das Linhas de Torres, museus e chafarizes — permitiu mapear Bucelas como espaço de memória e resistência 4. O património imaterial, através de ofícios como a tanoaria e a cestaria, mostrou que os “saberes fazer” também são história viva, correndo risco de se perder 5.
Os contributos de autarcas reforçaram esta visão. Para Hélio Santos, presidente da Junta de Freguesia de Bucelas, “é importante preservar, realçar e fortalecer as memórias para as gerações futuras” 6. Já Nelson Batista acrescentou que “lembrar é resistir, e partilhar é construir” 7. Para Vasco Touguinha, o repositório digital garante o acesso democrático e universal à memória local, prevenindo perdas e colocando Bucelas “no mapa cultural” 8.
Também os especialistas em História e Património validaram a metodologia. A historiadora Maria de Lurdes Rosa lembrou que não preservar as memórias seria “como cair numa doença de amnésia coletiva” 9, enquanto Vasco Coelho sublinhou que os objetos familiares são “símbolos da passagem de testemunho entre gerações” 10. Estes pareceres confirmam que o estudo das famílias enriquece a história local e nacional.
A dimensão pedagógica foi igualmente avaliada. O inquérito nacional a 135 professores de História revelou que 84,4% concordam plenamente que objetos familiares são fontes tão importantes como documentos escritos e 83,7% defendem a preservação sem reservas 11. Além disso, 61,5% consideram fundamental criar repositórios digitais escolares. Estes números demonstram que o exemplo de Bucelas pode inspirar outras comunidades e escolas, reforçando a ligação entre história, educação e cidadania.
No conjunto, o projeto permitiu refletir sobre dificuldades, limitações, oportunidades e motivações do passado: a escassez de recursos e a necessidade de reutilizar; a importância do trabalho agrícola e da dignidade do domingo; a coesão comunitária em tempos difíceis; e a transmissão de valores entre gerações. Mostrou também que a história local não é menor, mas parte integrante da “grande história”, onde processos nacionais de modernização, industrialização, migração e mudança cultural se tornam visíveis no microcosmo de Bucelas.
Mais do que guardar o passado, o Apelido Bucelas é um convite ao futuro. Como escreveu um dos autarcas entrevistados: “Que este projeto sirva de inspiração e reflexão para todos nós, fortalecendo laços e assegurando que ninguém fica esquecido” 12. Cada memória preservada é um elo entre gerações, e cada objeto recuperado é uma peça que completa o puzzle da nossa história comum.
Assim, o repositório não é apenas um inventário: é uma síntese histórica construída com rigor, espírito crítico e participação comunitária — um modelo de como trabalhar como historiador no século XXI: valorando, contrastando, ampliando e contextualizando fontes, para que a história se mantenha viva e justa.
1 Objeto pertença da Família de Miguel Jacinto, em secção Património Familiar, 2025
2 Objeto pertença da Família de Miguel Jacinto, em secção Património Familiar, 2025
3 Objeto pertença da Família de Miguel Jacinto, em secção Património Familiar, 2025
4 Em secção Património Construído, 2025
5 Em secção Património Imaterial, 2025
6 Entrevista a Hélio Santos, em secção Palavra de Autarca, 2025
7 Entrevista a Nelson Batista, em secção Palavra de Autarca, 2025
8 Entrevista a Vasco Touguinha, em secção Palavra de Autarca, 2025
9 Entrevista a Maria de Lurdes Rosa, em secção Palavra de Especialista, 2025
10 Entrevista a Vasco Coelho, em secção Palavra de Especialista, 2025
11 Em secção Palavra de Professor – Análise de dados final, 2025
12 Entrevista a Hélio Santos, em secção Palavra de Autarca, 2025
Fontes
Fontes
Fontes impressas / Livros / Documentos físicos
Câmara Municipal de Loures. (1992, outubro). Monumentos e edifícios notáveis do Concelho de Loures
Câmara Municipal de Loures. (1996). Jornadas sobre cultura saloia, 2 e 3 dezembro 1994: Comunicações. Departamento Sócio-Cultural, Divisão do Património Cultural
Câmara Municipal de Loures. (2000). Vindimando as memórias: Bucelas e os seus vinhos [Catálogo de exposição]
Câmara Municipal de Loures. (2006). Estudo de colecções: transportes e alfaias agrícolas
Câmara Municipal de Loures – Divisão do Património Cultural e Bibliotecas. (2022). Intervenção arqueológica no Largo do Espírito Santo, em Bucelas: dos séculos I e II da nossa Era à Necrópole moderna. Coord. F. Estêvão & N. Antunes-Ferreira
Câmara Municipal de Loures. (2023). Bucelas – Terra de Arinto. Divisão do Património Cultural e Bibliotecas, Unidade de Património e Museologia
Ferreira, F. M. (1998, maio). Levantamento do património cultural construído da freguesia de Bucelas [Relatório não publicado]
Gomes, J. P. (s.d.). Povo e religião no termo de Loures
Machado, J. (2001). A cerâmica tradicional portuguesa. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda
Mattoso, J. (1989). O arquivo e a construção social do passado. Revista da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, (2), 121–132
Santos Simões, J. M. (1971). A faiança portuguesa dos séculos XVII a XIX. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian
Jacinto, M. (2005). Entrevista a Hélio Santos. In Palavra de Autarca. Bucelas. Documento não publicado (entrevista)
Jacinto, M. (2005). Entrevista a Nelson Batista. In Palavra de Autarca. Bucelas. Documento não publicado (entrevista)
Jacinto, M. (2005). Entrevista a Vasco Touguinha. In Palavra de Autarca. Bucelas. Documento não publicado (entrevista)
Jacinto, M. (2005). Entrevista a Maria de Lurdes Rosa. In Palavra de Especialista. Bucelas. Documento não publicado (entrevista)
Jacinto, M. (2005). Entrevista a Vasco Coelho. In Palavra de Especialista. Bucelas. Documento não publicado (entrevista)
Jacinto, M. (2005). Palavra de Professor – Análise de dados final [Relatório de inquérito]. Bucelas. Documento não publicado
Autores
Autores
Miguel António Fernandes Jacinto
Autor
Miguel Jacinto é aluno do curso profissional de Programação e Gestão de Sistemas Informáticos na Escola Secundária Dr. António de Carvalho Figueiredo. Começou o ensino secundário em Ciências e Tecnologias, mas foi na informática que descobriu o seu verdadeiro interesse, levando-o a mudar de área e a aprofundar os seus conhecimentos em programação, redes e sistemas operativos.
No projeto Apelido Bucelas, Miguel encontrou uma forma de aplicar a tecnologia ao serviço da preservação e da memória. Inicialmente centrado nas histórias e objetos das famílias de Bucelas, o repositório evoluiu para incluir também o património natural, com destaque para a ovelha saloia — uma espécie tradicional da região. Esta ampliação reflete a importância de valorizar não só o que o homem constrói, mas também o que a natureza cria e sustenta.
O projeto pretende mostrar que preservar é também divulgar: dar a conhecer, através do digital, aquilo que corre o risco de desaparecer no mundo real. Assim, o repositório torna-se um espaço vivo, onde a tecnologia ajuda a proteger a identidade local, a memória coletiva e agora também a biodiversidade.
Além do seu envolvimento técnico, Miguel mantém um forte sentido de responsabilidade cívica, colaborando em iniciativas sociais como o Banco Alimentar. Essa ligação ao serviço comunitário reforça a sua motivação para desenvolver soluções digitais com impacto real — como o Apelido Bucelas, que une passado, presente e futuro em prol da preservação do que é único.
Samuel José Roque Marques
Autor
Samuel Marques é aluno do curso profissional de Programação e Gestão de Sistemas Informáticos na Escola Secundária Dr. António de Carvalho Figueiredo. Iniciou o ensino secundário já na área de Informática, onde rapidamente descobriu o gosto por compreender como funcionam os sistemas digitais, aprofundando competências em programação, redes e sistemas operativos.
No projeto Apelido Bucelas, Samuel encontrou uma oportunidade de colocar a tecnologia ao serviço da preservação cultural e natural. Inicialmente focado nas histórias e objetos das famílias de Bucelas, o repositório evoluiu para integrar também elementos do património natural da região, como a ovelha saloia — uma espécie emblemática e tradicional. Esta expansão demonstra a importância de valorizar não só o legado humano, mas também aquilo que a natureza cria e mantém ao longo do tempo.
O projeto reforça a ideia de que preservar é igualmente divulgar: utilizar o digital para dar visibilidade ao que corre o risco de desaparecer no mundo real. Assim, o repositório torna-se um espaço vivo, onde a tecnologia contribui para proteger a identidade local, a memória coletiva e a biodiversidade.
Para além do seu trabalho técnico, Samuel dedica-se também à ação comunitária. Participou numa ONG voltada para a sensibilização ambiental, onde ajudou a promover boas práticas ecológicas e o respeito pelo meio ambiente. Esta experiência reforçou a sua motivação para criar soluções digitais com impacto positivo, demonstrando que a tecnologia pode ser uma aliada poderosa na defesa do planeta e na promoção de um futuro mais sustentável